O Brasil relembra, nesta terça-feira (7), os 15 anos do massacre de Realengo. Em 2011, um jovem entrou com dois revólveres na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro. O ataque resultou na morte de 12 adolescentes — dez meninas e dois meninos. À época, o crime foi associado a fatores como bullying; hoje, é analisado por pesquisadoras sob a perspectiva da misoginia.
O massacre ocorreu em 7 de abril de 2011, quando o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a escola e atirou contra os alunos. Ele foi baleado por um policial e, em seguida, cometeu suicídio. Cartas deixadas pelo autor indicavam motivações confusas, associadas a ressentimentos relacionados ao período em que foi estudante.
Quinze anos depois, o debate sobre o caso ganhou novas camadas. Pesquisadores e defensores dos direitos humanos apontam que a misoginia (o ódio contra mulheres) pode ter sido um elemento central do ataque.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
“As explicações que surgiram na mídia à época chegaram a ser ridículas. Morreram mais meninas porque elas correm mais devagar ou porque costumam ser boas alunas e sentar nas primeiras fileiras da sala”, afirma Lola Aronovich, pesquisadora e ativista feminista, em entrevista à Agência Brasil.
Para a pesquisadora Cleo Garcia, da Unicamp, os ataques a escolas no Brasil não são incidentes isolados, mas resultado de uma combinação de misoginia, racismo e ideologias extremistas. Ao analisar episódios ocorridos nas últimas duas décadas, Garcia aponta que o ambiente digital atua como um acelerador desses crimes.
“As testemunhas relataram que o assassino atirava nas meninas para matar e nos meninos para ferir. Além disso, pelo que ele deixou gravado e escrito, era claramente um incel [celibatário involuntário, que não consegue ter relacionamentos sexuais]. Nos grupos masculinistas que eu acompanhava no Orkut na época, o massacre era comemorado e o assassino visto como um herói. Diziam que lembravam de vê-lo frequentando os fóruns. Tudo aponta para um crime movido por misoginia”, acrescenta Aronovich.
Atualmente, a Escola Municipal Tasso da Silveira abriga um memorial em homenagem às vítimas. Para familiares e sobreviventes, a data é um momento de dor, mas também um alerta para a necessidade de monitoramento de discursos de ódio nas plataformas digitais como questão de segurança pública.
Com informações da Agência Brasil
