O Ministério da Saúde anunciou o repasse de R$12 milhões destinados ao fortalecimento das ações de vigilância e controle da doença de Chagas. O recurso será distribuído entre 17 estados brasileiros, com foco em 155 municípios considerados prioritários devido aos altos índices de vulnerabilidade e presença de vetores.
De acordo com a Agência Brasil, a medida ocorre em um momento de atenção. Em 2024, o Brasil registrou 3.750 mortes pela doença, com maior concentração na Região Sudeste. Já em 2025, dados preliminares apontam 627 casos agudos, a grande maioria (97%) na Região Norte, e mais de 8 mil casos crônicos, concentrados em estados como Minas Gerais, Bahia e Goiás.
Segundo o Ministério da Saúde, a escolha dos municípios priorizou localidades com alto risco socioambiental é presença confirmada do inseto. O mapeamento técnico também incluiu cidades nas regiões Nordeste e Sudeste com elevada incidência da forma crônica da doença, garantindo que o recurso chegue onde a vulnerabilidade social é maior.
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Além do aporte para vigilância, o Ministério, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), anunciou R$ 8,6 milhões para a segunda fase do projeto Selênio. A pesquisa estuda a eficácia do mineral como tratamento complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. Por possuir propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o selênio pode se tornar uma tecnologia incorporada ao SUS para proteção cardiovascular desses pacientes.
Sobre a doença de Chagas
A doença de Chagas é uma infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Ela é transmitida principalmente pelas fezes do inseto conhecido como barbeiro, que penetram na pele após a picada. No entanto, o Brasil tem enfrentado muitos casos por transmissão oral (ingestão de alimentos como açaí ou caldo de cana contaminados).
A doença possui duas fases:
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Aguda: Logo após o contágio, apresentando febre, dor de cabeça e fraqueza.
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Crônica: Pode surgir anos depois, afetando gravemente o coração (insuficiência cardíaca) ou o sistema digestivo (aumento do cólon ou do esôfago)
A prevenção envolve desde o uso de telas e repelentes até o cuidado rigoroso na manipulação de alimentos, garantindo que o parasita não chegue à mesa. Como não existe vacina, o enfrentamento se baseia no controle sanitário rigoroso, melhoria das habitações e no diagnóstico precoce, que garante quase 100% de cura se iniciado ainda na fase aguda da infecção.
Com informações da Agência Brasil
