Um novo projeto cinematográfico desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) propõe lançar um olhar contemporâneo sobre um dos capítulos mais profundos e dolorosos da história. O documentário, ainda em fase de desenvolvimento, investiga os impactos da escravidão que permanecem presentes no tecido social, econômico e cultural do Brasil e de outras nações.
Diferente de abordagens puramente históricas, a produção foca na atualidade. O objetivo é mapear como estruturas formadas durante séculos de regime escravocrata se transformaram em desigualdades modernas, racismo estrutural e dinâmicas de poder que ainda persistem.
A direção do longa é da historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora do Departamento de História da UFF. Em entrevista à Agência Brasil, ela explicou que o filme foi inspirado em uma pesquisa mais ampla sobre reparações históricas.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
“A ideia é pensar não só as reverberações da escravidão atlântica de maneira comparada e conectada, mas sobretudo entender como os processos de reparação vêm sendo construídos nesses países”, afirmou.
No Brasil, o documentário se passa na região da Pequena África, no Rio de Janeiro, com destaque para o Cais do Valongo — reconhecido como o maior porto de entrada de africanos escravizados nas Américas. “É um território muito emblemático. A ideia é pensar as reparações possíveis a partir das narrativas e das lutas sociais construídas ali”, explicou a historiadora.
A obra também busca conexões internacionais, analisando como diferentes países abordam a escravidão a partir de suas próprias trajetórias, ampliando as reflexões sobre as múltiplas dimensões do sistema escravista.
Sem título oficial, o documentário tem previsão de conclusão para o final de 2027. Diante da complexidade do tema, a equipe avalia a possibilidade de transformar o projeto em uma série, permitindo uma abordagem mais aprofundada.
